Calné Oliveira
Os caminhos da WEB

A World Wide Web é uma rede de recursos de informação do tamanho do mundo. Também conhecida simplesmente como Web, é o sistema de hipertexto mais popular e utilizado do momento, possibilitando a visualização de informações cujos documentos (links) contêm referências internas para outros documentos para a fácil publicação, atualização e pesquisa. Essas informações são compartilhadas por pessoas em toda a parte na tela do próprio computador, navegando-se através de um browser que disponibiliza sites (ou páginas de Internet) por onde o "internauta" vai "navegando" (ou "surfando"), seguindo de link em link.

A Web como foi criada era bem diferente do que é hoje. O intento original do sistema criado em 1989 por Tim Berners Lee foi tornar mais fácil o compartilhamento de documentos de pesquisas entre os colegas de alguns projetos desenvolvidos pelo CERN, um centro de pesquisas europeu voltado para o estudo de partículas. "Havia pessoas participando de alguns projetos, mas que estavam separadas por longas distâncias e usando sistemas de computadores diferentes", afirma Lee. Ele criou ferramentas que resolveram esse entrave: um novo sistema virtual integrado. Esse sistema se tornou um modelo do que hoje é a World Wide Web.

O sucesso da Web é que ela não tem dono. Muitos sistemas semelhantes foram criados, mas eram fechados. As pessoas tinham que pagar para ter acesso. Em uma entrevista para a revista Veja, Berners Lee diz que desenhou a Web para ser um espaço colaborativo. Uma das melhores formas de trabalhar hoje colaborativamente é criar uma página na Internet. Ali se compartilha informações, pesquisas, pensamentos e até emoções. A Internet favorece essa construção cooperativa.

A cooperação talvez tenha sido a essência da Web quando foi idealizada, pois os sistemas colaborativos permitem a comunicação de idéias, compartilhamento de recursos e coordenação dos esforços de trabalho. Sua meta é permitir o trabalho em conjunto de maneira mais fácil e eficaz, ajudando a comunicar, coordenar e colaborar.

Por outro lado, em meio a tanta informação, se faz necessário saber a procedência ou fonte da informação, se podem ser confiáveis ou não. Esse é o outro extremo da Web, ou seja, a participação demais pode ou não piorar a confiabilidade do conteúdo. A rede é um território livre e sem fronteiras. Embora alguns queiram controlar a Internet, outros lutam duramente contra qualquer tipo de restrição.

Em um artigo sobre cibercultura encontrado na Wikipédia, conhecida como a enciclopédia livre, a ciberdemocracia é a representação da democracia num meio virtual, o que se acredita existir na Internet. A democracia na Internet é vista como a democracia direta idealizada na Antiga Grécia, pois, os cidadãos deste "ambiente" têm, teoricamente, o poder de decisão e total liberdade de expressão da sua cidadania. Essa idéia está opostamente contrária à idéia de censura. A censura é o uso pelo estado ou grupo de poder, no sentido de controlar e impedir a liberdade de expressão. Ela criminaliza certas ações de comunicação, ou até a tentativa de exercer essa comunicação. No sentido moderno, a censura consiste em qualquer tentativa de suprimir informação, opiniões e até formas de expressão.

Atualmente a censura pode ser contornada mais eficazmente com o advento da Internet, graças ao fácil acesso a dados sem fronteiras. "A Web só decolou porque não estava vinculada a nenhum sistema proprietário", ou seja, não havia ninguém que limitasse o seu conteúdo, crescimento ou direção de acordo com interesses próprios, mas a Web é de todos e todos podem, sem censura, decidir sobre o seu futuro.

Recentemente, em artigo publicado pela IDG Now, revista especializada em tecnologia, Demi Getschko, diretor do Núcleo de Informação e Coordenação do NIC.Br, afirmou: "A Internet trouxe muitos valores que para nós são muito caros, que gostamos muito e temos muito apreço. São valores de liberdade de expressão, liberdade de conexão e de participação". No entanto, afirma ele, o problema é quando essa liberdade de expressão se transforma em criminalidade na rede. "Você tem, ao mesmo tempo, que combater crimes que acontecem na rede e evitar que se transformem em censura indiscriminada contra valores que a rede construiu", afirma Getschko, que não analisa de forma positiva a possibilidade de se tomar medidas restritivas para o acesso à Internet, como foi o caso da censura chinesa. "Esse não é o espírito da rede, não é o espírito brasileiro, não é o espírito dos internautas".

No último dia 22, o Ministério Público Federal de São Paulo ajuizou uma ação civil pública solicitando que a Justiça Federal paulista obrigue a filial brasileira do Google a oferecer os dados de comunidades e perfis criminosos encontrados no site de relacionamento Orkut, que é administrado pela empresa norte-americana. Segundo uma pesquisa realizada pela organização SaferNet, o Orkut é o campeão de denúncias no Brasil de crimes de pedofilia e de ódio na Internet.

Tim Berners Lee, o pai do WWW não acha que deva ser responsabilizado pelo que há de bom nem pelo que existe de ruim na Web. "Não mais do que os inventores do papel podem ser responsabilizados pelo que é feito com ele", ironiza. Apesar disso, concorda que aqueles que constroem a infra-estrutura da rede fiquem atentos aos possíveis benefícios e ameaças que ela pode representar.

Polêmicas à parte, a Web está se expandindo, e há um projeto em andamento, tendo à frente o próprio Lee, para aprimorar ainda mais os recursos da rede, intitulado de "web semântica". Essa nova versão da Web trará tecnologias que permitem o cruzamento de informações com facilidade, independentemente do tipo de programa em que elas estejam guardadas. No mundo da medicina já estão fazendo algumas experiências com a web semântica, reunindo um vasto volume de informações. E muitos programas poderão surgir para aproveitar esse tipo de base de dados, não só serviços de busca ou navegadores.

Os visionários, estudiosos e empresários que prevêem os rumos da modernidade afirmam que, estamos diante da era da informação, na qual a rede mundial de computadores será a base de recepção e transmissão de dados. Ela estará interligada com outras mídias. Terá um formato mais amigável. Chegará às pessoas em um aparelho que será um misto de televisão e computador.

Enquanto essas previsões não se tornam realidade, já vemos a Internet deixar de ser algo curioso ou de vanguarda, para realmente fazer parte da vida das pessoas (embora que ainda muito restrita em países como o Brasil, por exemplo, onde, proporcionalmente ao número de habitantes, a Rede está longe de ser um veículo de massa). A cada dia ela torna-se mais útil. Novos serviços são criados e os usuários criam rotinas de pesquisas por informação, lazer e compras.

O leitor de Internet procura dinamismo, clareza, facilidade para encontrar a informação e, sobretudo, agilidade e atualidade. Nesse sentido, é fundamental que o conteúdo disponível esteja adequado às características da mídia. À medida que haja preocupação com a maneira como essa informação é posta na mídia binária, mais serão beneficiados usuários e provedores de conteúdo.

Calné de Oliveira

ARTIGO BASEADO NO TEXTO "...E ELE CRIOU A WEB"
Veja Especial Tecnologia - Julho de 2006
Para o núcleo de Marketing Digital da Universidade Veiga de Almeida, RJ.


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