Calné Oliveira

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Sensível

Sensível
adj m+f 1 suscetível, delicado, melindroso. 2 visível, evidente, patente. 3 humano, caridoso, bondoso.

A questão toda em não querer ser visto como um cara sensível está no seu sinônimo delicado. Mas será que uma pessoa sensível, necessariamente, é uma pessoa delicada? Talvez você tenha um amigo que acha que sim.

Por isso ele faz questão de dizer que é "grosso, bruto e mal-educado". No entanto, no fundo, você não acredita que ele seja assim.

Certamente o seu amigo é um daqueles "caras" que: te lembra a hora de tomar o remédio; divide a coca-cola com você; fica com fome para te esperar para almoçar; passa a noite acordado porque você precisa desabafar; reclama se você solta um "pum"; finge que não tem personalidade para poder concordar com você; come o mesmo amendoim estragado só pra vomitar junto contigo; fica sabendo de algumas coisas que não gosta sobre você mas continua querendo a sua companhia; lembra de coisas que você disse e você mesmo não lembra de ter falado; usa samba-canção do Piu-Piu sem se importar com o seu constrangimento; implora para que o nome do seu primeiro filho seja o mesmo do dele; consegue fazê-lo rir mesmo que você esteja de mal-humor; usa manteiga de cacau nos lábios e jura que não é metro-sexual; diz que te ama, mesmo que seja "eu te amo... cara", pra disfarçar; sempre acha que você está carregando menos peso, mesmo que ele tenha a metade da sua altura e você o dobro da sua força; tira fotografia com a cabeça encostada na sua e é o cúmplice mais fiel que você já teve.

Se ele for assim, realmente é um cara sensível. Mas você nunca vai convencê-lo disso. Continue acreditando nisso, mesmo que ele trate como "besteira" ou tenha "ignorado" coisas que foram tão complexas para você um dia.

Tem uma coisa que acredito: não há amizade sem relacionamento, não há relacionamento sem emoção, não há emoção sem sensibilidade, não há sensibilidade sem dor. Não há como viver a vida sem essas coisas e ser feliz. Não se é feliz sem ter um amigo e não se tem um amigo se não se pode dizer para ele o que está na alma da gente.

Calné de Oliveira

Crônica para o Blog Fórum da Amizade, RJ.


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